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Ela ama o que faz.
Entre um café e outro, Marília Carneiro, figurinista da Rede Globo
há mais de trinta anos, falou sobre seu trabalho e sobre a
influência das novelas na vida das pessoas. Com vocês, a responsável
pelas meias de lurex, que enlouqueceram as adolescentes na década de
1970, durante a novela Dancing Days.
MO: Este foi seu
melhor trabalho?
MC: É o meu
maior hit. Vi as meias numa capa de long-play e mandei fazer um par
para a novela.
Dancing Days foi pura Disney.
Só me diverti! A gente inventa moda à medida que uma peça vista numa
loja de discos vira sucesso.
MO: Você dita
moda?
MC: A Globo é
uma grande divulgadora. Quando o look de um personagem estoura,
tento pensar que sou responsável por 50% e a emissora, por 50% .
Temos o poder de acentuar tendências. Tempero isso fazendo teatro,
que é um ato de humildade. Ali o que conta é o seu trabalho.
MO: Como você
busca inspiração para criar seus personagens?
MC: Nas novelas
de época, a pesquisa começa nos livros e termina nos brechós e
feiras de antiguidades. Nas novelas atuais, o caminho é o aeroporto.
Viajo muito para buscar tendências. É preciso ver como as pessoas as
incorporam em sua vida, que é diferente em Ouro Preto, São Paulo ou
Paris.
MO: Você gosta
de ouro?
MC: Sou
apaixonada pelo ouro amarelo. Tenho uma coleção de alianças do
metal, além de muitas argolas. Só não gosto de relógio de ouro, nem
do Rolex.
MO: De que forma
você escolhe as jóias para compor seus figurinos?
MC: Escolho a
jóia de acordo com a personalidade de cada um, levando em conta seu
poder aquisitivo, sua idade e sua força no enredo. | A cada novela que
começo faço uma espécie de audiência pública. Peço aos designers de
jóias que se apresentem na Globo e verifico pessoalmente as peças.
MO: Existem
designers prediletos?
MC: Gosto muito do Antônio Bernardo,
que é um grande parceiro. Mas abro o leque. Nesse movimento, conheci
o trabalho de uma designer mineira, Júnia Machado, que fez todos os
colares, brincos e anéis da Jade (da novela O Clone). O desenho dela
é delicado e tem um quê de hippie.
Marília: um pé no Rio e outro no mundo
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