Newsletter trimestral da AngloGold Ashanti AuDITIONS • Ano 1 • n° 1
Nova Lima, Outubro de 2007
 
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Nem tudo que reluz é ouro
Mas que brilha, brilha

                                                                                 Pólo São José Liberto: espaço para a criação.

O Espaço São José Liberto, que abriga o Pólo Joalheiro, está entre as atrações obrigatórias de Belém do Pará. O prédio é de 1749 e pertencia aos frades franciscanos. Em 2000 foi transformado nesse novo espaço por iniciativa do governo do Estado.

São seis joalherias – uma delas de jóias antigas – que   oferecem ao

   João e Júlia: regionalização universal.

público peças que unem ouro, prata e gemas a matérias-primas orgânicas como sementes, fibras, madeira e cerâmica. “Aqui a jóia transforma-se em obra de arte”, afirma João Amorim que, junto com a esposa, Júlia Mendes, compartilha o espaço de uma das lojas com outros dois joalheiros. “As peças têm identidade, e isso agrada aos consumidores. Trata-se de uma regionalização universal, que chamo de Amazônia Global, e que inclui materiais alternativos, como caroço de tucumã, casca de pupunheira e de coco, jarina, osso,

madrepérola, pérolas de água doce, dentre outros”. 

O trabalho é resultado do Programa de Desenvolvimento do Setor de Gemas e Jóias, criado em 1998. No Espaço São José Liberto funcionam ainda as ilhas de lapidação e ourivesaria. “É como unir o luxo e o lixo”, explica Marcelo Monteiro, da Ourogema, outra das joalherias. “A casca do coco, por exemplo, se transforma em material luxuoso junto com o ouro”. Para Marcelo, a jóia do Pará já possui uma marca forte na diversidade cultural do País. “Não temos compromisso com rótulos, mas com o bem-estar”, diz ele. “Nos últimos vinte anos, não houve nenhuma novidade tão grande no setor como a jóia desse Estado”. 

A designer Clara Amorim, que nasceu e mora em Belém, não deixa Marcelo mentir. Ela é autora da jóia Fogo sob Gelo, finalista no AuDITIONS 2006, única do Norte e do Nordeste. “Ainda existe certo receio por parte dos produtores locais em ousar na mistura do ouro com outras matérias-primas”, afirma a designer. “O público paraense é convencional. São as

pessoas de fora que mais buscam essas jóias”. Para ela, as peças falam do repertório regional. “Não é que vamos fazer uma jóia em forma de boto ou jacaré, mas usamos lendas, fauna, flora, cultura e culinária do Pará para criar”.

 Lídia Abrahim, outra designer de Belém que também participou do AuDITIONS no ano passado, desenvolveu uma coleção de jóias com o tema Helicônias, que foi convidada por Victor Dzenck para desfilar no Fashion Rio, em junho de 2006. “A cidade é um bom mercado para a joalheria, desde que o designer respeite as características do setor”, diz ela. “Elas incluem fazer jóias artesanais, principalmente em razão dos materiais que usamos, além da limitação da capacidade produtiva, porque não temos processos industriais avançados”.

                           Lídia: jóias artesanais.